Medicamentos de venda livre (VL) para tosse aguda em crianças e adultos atendidos ambulatorialmente

Autores
Categoria Systematic review
RevistaCochrane Database of Systematic Reviews
Year 2014
INTRODUÇÃO: A tosse aguda devida à infecção do trato respiratório superior (ITRS) é um sintoma comum. Medicamentos de venda livre (VL), sem prescrição, são frequentemente recomendados como o tratamento de primeira linha, porém, há poucas evidências se estas drogas são efetivas. OBJETIVOS: Avaliar os efeitos de preparações orais de VL para a tosse aguda em crianças e adultos atendidos ambulatorialmente. MÉTODOS DE BUSCA: Nós pesquisamos na CENTRAL (2014, fascículo 1), MEDLINE (Janeiro de 1966 a Março de 2014, semana 3), EMBASE (Janeiro de 1974 a Março de 2014), CINAHL (Janeiro de 2010 a Março de 2014), LILACS (Janeiro de 2010 a Março de 2014), Web of Science (Janeiro de 2010 a Março de 2014) e UK Department of Health National Research Register (Março de 2010). CRITÉRIO DE SELEÇÃO: Ensaios clínicos controlados randomizados (ECRs) comparando preparações orais de VL contra a tosse versus placebo, em crianças e adultos com tosse aguda atendidos ambulatorialmente. Foram considerados todos os desfechos relacionados à tosse; os efeitos adversos foram considerados como desfechos de interesse secundário. COLETA DOS DADOS E ANÁLISES: Dois autores da revisão selecionaram as citações potencialmente relevantes, extraíram os dados e avaliaram a qualidade dos estudos independentemente. Foram realizadas análises quantitativas quando apropriado. PRINCIPAIS RESULTADOS: Devido ao pequeno número de ensaios clínicos em cada categoria, à quantidade de dados quantitativos disponíveis limitada e às diferenças marcantes entre os ensaios clínicos em termo de participantes, intervenções e medidas de desfechos, nós acreditamos que o agrupamento dos resultados seria inapropriado.Vinte e nove ensaios clínicos (19 em adultos e 10 em crianças) envolvendo 4.835 pessoas (3.799 adultos e 1.036 crianças) foram incluídos. Todos os estudos eram ECR controlados por placebo. Entretanto, a avaliação do risco de viés dos estudos incluídos foi limitada pela falta de informações, particularmente nos estudos mais antigos.Nos estudos com adultos, seis ensaios clínicos compararam antitussígenos com placebo e obtiveram resultados variáveis. Três ensaios clínicos compararam o expectorante guaifenesina com placebo, sendo que um indicou benefício significante enquanto que os outros dois não. Um ensaio clínico constatou que um mucolítico reduziu a frequência e a intensidade dos sintomas. Dois estudos examinaram combinações de anti-histamínicos com descongestionantes e encontraram resultados conflitantes. Quatro estudos compararam outras combinações de medicamentos com placebo e indicaram algum benefício na redução dos sintomas da tosse. Três ensaios clínicos constataram que os anti-histamínicos não foram mais efetivos que o placebo no alívio dos sintomas da tosse.Nos estudos com crianças, antitussígenos (dados de três estudos), anti-histamínicos (dados de três estudos), anti-histamínicos com descongestionantes (dois estudos) e combinação de antitussígeno com broncodilatador (um estudo) não foram mais efetivos que o placebo. Nenhum estudo utilizando expectorantes preencheu os critérios de inclusão. Os resultados de um ensaio clinico favoreceram o tratamento ativo com mucolíticos sobre o placebo. Um ensaio clínico testou dois xaropes pediátricos contra a tosse e ambas as preparações mostraram “resposta satisfatória” em 46% e 56% das crianças, em comparação com 21% das crianças no grupo placebo. Um novo ensaio clínico indicou que três tipos de mel foram mais efetivos que placebo no período de três dias.Vinte e um estudos relataram efeitos adversos. Houve uma ampla variedade entre os estudos, com maior número de efeitos adversos em participantes que tomaram as preparações contendo anti-histamínicos e dextrometorfano. CONCLUSÃO DOS AUTORES: Os resultados desta revisão devem ser interpretados com cautela, porque o número de estudos em cada categoria de preparações para tosse foi pequeno. Disponibilidade, dose e tempo de uso de medicamentos de venda livre para a tosse variam significativamente em diferentes países. Muitos estudos foram mal relatados, tornando difícil a avaliação do risco de viés e os estudos eram, também, muito diferentes um do outro, tornando a avaliação da eficácia geral difícil. Não há boas evidências a favor ou contra a efetividade dos medicamentos de VL na tosse aguda. Isso deve ser levado em conta quando se considera a prescrição anti-histamínicos e antitussígenos de ação central em crianças; medicamentos que são conhecidos por terem o potencial de causar danos graves. NOTAS DE TRADUÇÃO: Traduzido por: Ricardo Augusto Monteiro de Barros Almeida, Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brasil Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com
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First added on: Dec 08, 2014